Marcopolo é obrigada a manter fábrica lusa até novembro

A Marcopolo foi impedida pelo Ministério do Trabalho português de fechar na próxima na terça-feira a unidade que detém em Portugal, e terá de mantê-la até 30 de novembro, anunciaram nesta sexta-feira dirigentes sindicais.

O grupo brasileiro, que é um dos maiores produtores do mundo de carrocerias de ônibus, preparava-se para encerrar os contratos com os 180 trabalhadores no dia 15 de setembro, pagando o correspondente ao aviso prévio de demissão. Contudo, a medida foi considerada ilegal.

“O Ministério do Trabalho notificou a empresa dando nota de que há um preceito legal que está a inviabilizar que dia 15 caduquem os contratos, mesmo com a empresa a cumprir o pagamento do aviso prévio, uma vez que ele tem de ser cumprido sem qualquer pagamento”, afirmou António Moreira, coordenador da União de Sindicatos de Coimbra, após um plenário de trabalhadores.

Moreira afirma que, legalmente, os operários com menos anos de serviço terminam os contratos no dia 30 deste mês e “o grosso dos trabalhadores dia 30 de novembro”.

Hoje, os funcionários ficaram também sabendo que, “até agora, à Marcopolo não chegou qualquer proposta (de investidor) para dar continuidade à empresa”.

Nos últimos dias têm surgido notícias sobre o interesse de um investidor belga e, mais recentemente, de empresários da região central de Portugal, dispostos em manter a fábrica em Coimbra.

“As notícias são sempre sinais, mas a vontade e intenção não chega neste momento, quem quer apostar aqui, onde há mão-de-obra altamente qualificada, tem de apresentar uma proposta à Marcopolo”, disse o sindicalista.

Juvenal Sousa, do Sindicato Nacional das Indústrias e Energia (SINDEL), critica o fato de o investidor belga, que “tem estado a elaborar uma proposta apoiado pelo governo, andar a esticar a corda”.

Para ele, “não faz sentido” o empresário dizer que “só avança com apoios do governo e que a Marcopolo não é a única empresa que lhe interessa, há outras (alternativas) no país”.

“Há aqui uma tentativa de criar pressão sobre a Marcopolo e o próprio governo, no sentido de colher a maior parte dos frutos que poderão advir de algumas compensações ou apoios”, disse.

Além disso, Sousa defende que “não pode qualquer investidor estar à espera que o governo compre a Marcopolo e [lhe] diga [que] aqui está uma empresa para começar a trabalhar porque é dinheiro de todos nós (contribuintes)”.

Fonte: Agência Lusa (12/09/2009)

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