O Brasil aposta mais que os jogos na candidatura do Rio

O Brasil joga nesta sexta-feira (2) mais que umas Olimpíadas. É o que dizem todos os comentaristas de esporte e de política. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabe muito bem disso, dado o momento especial que este país vive diante do mundo, no qual quer intervir cada vez mais.

  • Joel Silva/Folha ImagemEduardo Paes, prefeito do Rio (e), Orlando Silva e Lula conversam durante encontro da comitiva da campanha Rio-2016 com a imprensa internacional nesta quinta-feira (1º) em Copenhague

Como político sagaz que é, Lula fez saber que se Obama for a Copenhague é a seu pedido. Tratou-se de uma brincadeira, mas calculada. “Minha esposa Marisa irá. Se sua mulher vier sozinha, serão dois contra um. É melhor que você também venha”, comentou Lula ao presidente americano. Para Lula, se o Rio perder a candidatura é mais honroso se Obama tiver se empenhado em ganhar. Seria uma disputa entre os dois e não seria desonroso se ganhasse Chicago, a cidade do homem mais poderoso do mundo. Pior teria sido para Lula perder sem que Obama estivesse presente. Seria a demonstração de que os EUA têm força suficiente para ganhar as Olimpíadas com ou sem Obama. E se o Rio acabasse ganhando?

Já sem brincadeiras, a diplomacia brasileira fez saber a Washington, de todas as formas, a importância para a América do Sul de que o Rio ganhe. Seriam as primeiras Olimpíadas neste subcontinente, cada vez mais importante e delicado para a diplomacia americana. E Lula é visto como o homem da América do Sul capaz de dialogar com Chávez e com os outros presidentes pouco afins aos EUA, para tentar acalmar suas presunções anti-imperialistas.

Além disso, os EUA se interessam cada vez mais pelo Brasil, que será chamado, mais cedo ou mais tarde, a participar dos maiores e mais importantes organismos internacionais, começando pelo Conselho de Segurança da ONU. Se o Rio ganhasse, poderia muito bem parecer que, no final, Obama teria dado uma mão à candidatura brasileira. Para Lula seria a coroação de seu segundo mandato, que acaba no próximo ano e que ele deixa internamente com 89% de apoio popular. A vitória do Rio consagraria Lula como um grande estrategista também internacional.

Para se precaver, Lula viajou a Copenhague pela mão de dois grandes magos brasileiros: o rei do futebol, o grande Pelé, que continua sendo um mito mundial, e o mago Paulo Coelho, o escritor brasileiro de fama universal que não perdeu sua fama de mago, que as biografias lhe atribuem desde que era jovem, com o poder mágico de afastar ou atrair a chuva.

Se o Rio ganhasse, a vitória teria três magos: o grande mago da política, o mago da bola e o mago da literatura. Se perdesse para Madri, Chicago ou Tóquio, a água, segundo os cariocas que amam viver felizes e que amanhã festejarão quer percam quer ganhem a candidatura, não chegaria ao rio, já que o Rio cidade continuará sendo, como dizia Le Corbusier, o lugar mais mágico da terra.

Fonte: El País (02/10/2009)

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