O Brasil será a próxima potência em Tecnologia da Informação?

A partir do sucesso do Plano Real em 1994, o processo de internacionalização das empresas brasileiras de tecnologia da informação (TI) ganhou velocidade. Nesse mesmo período, vários países emergentes desenvolveram indústrias de TI de proporções relevantes, incluindo nações como Brasil, China, Coreia do Sul, Índia, Irlanda e Israel.

Aparentemente, o Governo teve um papel importante nessa escalada. No rol da liberalização do país em 1992 foi criado o Programa Softex 2000, que mais tarde seria chamado de Sociedade Softex com o objetivo de promover a exportação de software das empresas brasileiras. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) também criou em 1996 o Prosoft, programa em que as empresas de software não necessitam de oferecer garantias reais para obter empréstimos.

Já no início dos anos 2000, a APEX criou a marca “Brazil IT” para promover o país como produtor de tecnologia e o PSI-SW (Programa Setorial Integrado de Software e Correlatos), dividindo as empresas do setor por verticais e segmentos. O programa já possui mais de 100 empresas cadastradas.

Em 2005, foi criada a BRASSCOM como fruto de uma parceria estabelecida entre: o Governo Federal através do Ministério do Desenvolvimento e o grupo das maiores empresas exportadoras de software brasileiras.

Para entender como ocorreu o processo de internacionalização das principais empresas de TI brasileiras, entrevistou-se os principais executivos de importantes empresas de capital nacional. Identificou-se o grau de internacionalização[1], quando o processo foi iniciado e seus principais mercados-alvo.

Identificou-se que algumas empresas possuem o processo de internacionalização mais antigo e estão mais adiantadas tais como CI&T e Stefanini. Por outro lado, há empresas que começaram recentemente na arena internacional estão ganhando velocidade tais como Spring Wireless e BRQ. Os principais fatores que explicariam o grau de internacionalização seriam a quantidade de recursos investidos e o grau de envolvimento dos principais executivos dessas empresas.

Os executivos apontaram como principais desafios para avançar na internacionalização das empresas que comandam:

  • Estrutura tributária com alta taxação incidente na mão-de-obra qualificada utilizada por essas empresas;
  • Pequena disponibilidade de linhas de financiamento para estimular a internacionalização, fusões e aquisições de empresas brasileiras;
  • Ausência ou imagem pouco relevante do software brasileiro nos mercados de TI dos países desenvolvidos;
  • Pequena disponibilidade de mão-de-obra fluente em línguas estrangeiras, principalmente o inglês.

Observa-se que a indústria brasileira de TI possui uma série de desafios que precisam ser enfrentados em um esforço conjunto de empresas, governos e sociedade civil. O sucesso desta jornada dependerá do quanto estes agentes serão capazes de alinhar seus interesses para promover o país e suas empresas no exterior. Talvez seja possível num futuro próximo ver o Brasil ser considerado como uma potência emergente de TI, assim como hoje acontece na área de energia e alimentos.

 


 

[1] O índice foi calculado obtendo o grau de transnacionalidade sobre vendas e empregados e calculando a média entre eles. O índice de transnacionalidade de vendas é obtido pela razão entre faturamento no exterior e faturamento total. O índice de transnacionalidade de empregados é obtido pela razão entre total de empregados no exterior e o número global. Essa é uma adaptação da metodologia utilizada pela UNCTAD anualmente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: