Brasil é ‘vítima do próprio sucesso econômico’, diz ‘Financial Times’

Em reportagem publicada em 21/10, o diário britânico Financial Times afirma que o Brasil é “vítima do seu próprio sucesso econômico” – razão pela qual anunciou a taxação de 2% sobre o capital estrangeiro.

Em quatro artigos dedicados ao tema em quatro seções diferentes, o jornal aposta ainda, como outros, que a iniciativa deve ser pouco eficiente no objetivo de conter a apreciação do real frente ao dólar. “O principal objetivo do governo é combater a volatilidade”, diz o FT.

Fonte: BBC Brasil

O artigo mais noticioso, que ganha espaço na primeira página, afirma que, “se o governo está tentando conter o avanço estável do real em relação a outras moedas com a taxa de 2%, muitos estão céticos quanto à hipótese de dar certo”.

É que, diante das boas perspectivas para o país, a atração de capital externo tem crescido a passos largos. “O Brasil se tornou vítima de sua própria resistência à crise”, diz o correspondente do jornal em São Paulo.

No momento em que grande parte do mundo ainda sofre com os efeitos crônicos da recessão, o país “deu os ombros” para a crise e está “voltando rapidamente para um forte crescimento”, afirma o diário.

Como explicou um analista, citado em uma segunda matéria, com a taxa o governo brasileiro “está lutando contra todo o mercado”. “Todo mundo quer estar no Brasil neste momento”, disse, ao jornal.

Em dois outros artigos, mais analíticos, o FT avalia outras razões para a apreciação do real. O jornal diz que, se tiver sido unicamente por causa da riqueza gerada – rapidamente – pela alta das commodities, há razões para impor a taxa e tentar evitar a especulação financeira.

“Por outro lado, se a força do real se dever à permanente mudança nos termos de comércio do Brasil, há pouco que o governo possa fazer. Uma taxa de câmbio sobrevalorizada pode reduzir a competitividade, mas a resposta a isso é mais produtividade.”

“Pelo menos o real forte faz os brasileiros se sentirem mais ricos, um bônus político antes das eleições do ano que vem”, diz o FT. Além disso, diz o jornal, a taxa que torna menos atrativo o capital de curto prazo também torna menor a saída de recursos à medida que a recuperação econômica melhorar a atratividade de outras partes do mundo.

Para o jornal, “esta ação preventiva é um sinal promissor do amadurecimento financeiro do Brasil”.

Outros jornais

Em outros jornais estrangeiros, a taxação de capital estrangeiro também ganhou destaque.

Para o americano Wall Street Journal, a medida “sublinha a enorme demanda dos investidores por ativos brasileiros, no despertar da crise financeira global. O forte sistema bancário e a classe consumidora ajudaram a anular o efeito da desaceleração econômica, tornando a nação sul-americana um dos poucos lugares bem-sucedidos no mundo”.

Nas palavras do Cinco Días, o maior diário financeiro da Espanha, “o escolhido para os Jogos Olímpicos de 2016 está em moda, mas se recusa a se converter na próxima bolha especulativa”. Para o jornal, a “disparada” do Brasil é indiscutível, mas “a entrada de divisas também tem seu lado negativo, algo que, nos últimos anos, a Islândia pôde comprovar”.

O também espanhol El País observa que “a primeira grande crise da globalização deixa, até o momento, dois grandes ganhadores: os emergentes asiáticos e o Brasil”. “Em ambos os casos o sucesso tem seus perigos”, diz o jornal. “A bolsa brasileira subiu mais de 70% e o real se valorizou mais de 30% no ano: dois sinais de fortaleza, mas também de um perigoso reaquecimento.”

Nas palavras do argentino Clarín, a iniciativa do governo tem por objetivo “evitar que os investidores estrangeiros convertam o Brasil no que se define, em português, como a bola da vez, ou seja, o país do momento para os grandes ganhos oportunistas”.

3 responses to this post.

  1. Posted by Edwagney Luz on 24/10/2009 at 13:44

    Grande Ricardo, como vai meu amigo?
    Gostei muito do seu bloig e leio sempre. Este último post é interessante e nos mostra claramente que em tudo precisa existir equilíbrio. Tudo em excesso é prejudicial.
    A Rio 2016 vai nos gerar muitos bônus, porém é preciso tomar cuidado com a grande quantidade de ônus que também vai gerar.

    Um grande abraço!
    Ed.

    Responder

    • Grande Ed, tudo bem contigo? Como tá a vida aí no Canadá?
      Obrigado pela visita. Também tenho acompanhado a distância suas aventuras no Canadá.
      De fato, acho que os gringos tem nos visto de uma maneira mais exuberante do que seria justo e isso acaba trazendo consequências negativas para nós.
      Sou um entusiasta da Copa e das Olimpíadas. Acho que serão muito importantes para o país e, principalmente, as Olimpíadas serão uma grande oportunidade de os governos resolverem de vez os principais problemas do Rio que é nossa cara para o mundo.
      Sim, a conta pode sair cara, mas aí é preciso que nos organizemos como sociedade para fiscalizar tudo isso.
      Abs,
      Ricardo.

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  2. There’s definately a great deal to learn about this issue. I really like all of the points you’ve
    made.

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